Stent SBACVRJ

Endoprótese na correção do aneurisma e dissecção da aorta torácica.

INTRODUÇÃO

Após o advento da angioplastia percutânea com cateter balão, foram desenvolvidos alguns dispositivos para a realização de aterectomias através de cateteres percutâneos, inclusive com a utilização de raio laser (5,6,12,13). Concomitantemente, vêm sendo desenvolvidas e aperfeiçoadas as endopróteses ou stents, dispositivos para manter a perviedade da área tratada. Estes engenhosos tubos metálicos, em forma de malha, têm demonstrado resultados animadores (1,2,3,4,10).

RELATO DE CASOS

PRIMEIRO CASO

Homem branco, 55 anos, casado, natural do Ceará, encarregado de um Posto de Saúde. Procurou-nos com queixas de cansaço nas pernas. Os sintomas tiveram início em maio de 1992, com o surgimento de dor e cãimbra nas panturrilhas. Inicialmente foi investigada a possibilidade de problemas de coluna, sendo orientado por ortopedista a procurar o angiologista.

Informou que a claudicação vinha surgindo para distâncias cada vez menores. Na época da primeira consulta, surgia após deambular 300 metros no plano e 150 metros em aclives. A claudicação comprometia também a região glútea bilateral. Referiu também o surgimento de impotência sexual, concomitantemente com a piora da claudicação.

Pulsos femoral bilateral com acentuada diminuição, conseguindo-se sentir uma amplitude de, no máximo, 1+/6+. Pulsos poplíteo, pedioso e tibial posterior impalpáveis bilateral.
Pressão sistólica em pediosa direita = zero
Pressão sistólica em tibial posterior direita = 50 mmHg
Pressão sistólica em pediosa esquerda = 40 mmHg
Pressão sistólica em tibial posterior esquerda = 50 mmHg,
dando um índice de pressão perna/braço bilateral = 0,35.

Conduta

Foram feitos os exames de rotina e realizada aorto-arteriografia translombar, a qual revelou estenose de ± 95% no óstio das artérias ilíacas, estendendo-se por ± 4 cm de extensão para baixo, bilateral (Fig. l). Ilíacas externas, femorais, poplíteas e artérias infrapatelares de calibre e conformação normais.

Fig. 1 - Observar a severa estenose nas ilíacas comprometendo o segmento terminal da aorta

O paciente foi colocado em tratamento clínico durante dois meses com vasodilatadores, antiagregante plaquetário e deambulação diária a passos normais. Evoluiu sem melhora. No dia 10 de maio de 1993, foi submetido à angioplastia percutânea da bifurcação da aorta, da ilíaca comum direita, da ilíaca comum e da ilíaca externa esquerda, com a colocação de um stent de 39mm de comprimento por 4-9 mm de diâmetro na ilíaca comum direita, um stent de 30mm de comprimento por 4-9 mm de diâmetro na ilíaca comum esquerda, e um stent com as mesmas dimensões na ilíaca externa esquerda.

O procedimento foi realizado simultaneamente pela técnica de Seldinger via femoral bilateral, e os stents foram colocados, aplicando-se inicialmente uma atmosfera de pressão, seguida imediatamente de mais uma atmosfera para fixar as extremidades dos stents na parede arterial. A seguir, de maneira rápida, aplicou-se pressão até atingir oito atmosferas em ambos os balões, vestidos cada um com um stent (técnica do Kissing Stent) W (Fig.2). Uma injeção de contraste comprovou a boa abertura dos stents (Fig. 3).

Verificamos que restou uma estenose residual no segmento terminal da ilíaca comum e segmento inicial da ilíaca externa esquerda.

Fig. 2 - Observar os três stents abertos e bem posicionados, dois deles em posição de Kissing Stents (setas)
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